Este conto pinta a historia de Victor de Tarsila, um garoto utópico, mal sucedido, mas feliz. Apaixonado em vida pelo que faz, vive em um "beco" entre escadas dentro de um cubículo nomeado de "apartamento", tendo apenas 1 quarto com banheiro embutido, uma sala que copulava-se com a cozinha, na qual não tinha começo ou fim, dormia em um colchão, e sua maior obra estava nas paredes de um céu estrelado e um poema do Olavo bilac..."Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas".
E seus amigos assim... também o achava...
Seus pés frios, temperatura baixa, mas o sol queria acorda-lo, sentiu suas pálpebras queimarem, então por fim... resolveu fazer o que eram desejado. Levantou-se, foi ao banheiro, e no caminho esbarrou em algumas garrafas de cerveja, lavou o rosto que ainda parecia embriagado de sono. Tomou um banho que queimava as espinha, lavou-se como se fosse a ultima vez.
Ficou apenas de Samba-canção, abriu a porta e pegou o jornal da vizinha como se fosse dele. Sentou-se no chão da sala, ao sabor do pão com agua começou a ler o jornal, e nada lhe chamava atenção, achou que seria mais um dia de tentativas em exposições e museus.
Deitou-se no chão...
-Que vou fazer agora estrelas?- olhou para seu teto estrelado... apesar do sol...
-me sinto tão... vazio... mas vocês ainda estão brilhando...-
enterrompe sua conversa ao ouvir seu celular tocar.
-Alô?
- Victor Tarsila?
-Sim?
- Aqui é o Lucas.
- Lucas?
-Lucas le Rosseu
- Cara! quanto tempo?
- Pois é! então amigo, arrumei-te um encontro...
-Cara nem da pra mim sustentar-me, imagina sair com uma garota...
-Não é um encontro namoro... é trabalho, tenho um contato ai em São Paulo, mandei recomendações.
-Serio? cara! Brigado!
-Obrigado...
-Não cara brigado...
-Não!... Se fala Obrigado!
-Ah!- eles riram- desculpa, Obrigado- então concluiram a conversa dando-lhe o endereço.
Passou-se a manhã, a tarde, e a lua beijou o céu... ele vestiu suas melhores roupas e foi ao "encontro". Chegou em um apartamento de luxo em São Paulo, interfonou para um dos quartos, uma voz suave porém segura atende.
-Boa noite! eu sou o Victor de Tarcila... e o meu amigo Lucas... ele...- antes de continuar ela o interrompe
- pode entrar, quarto 421-
-certo...-
pegou o elevador que dava direto no quarto da moça... olhou de forma geral a sala, pinturas originais de Van gogh e a que lhe chamava mais atenção não era Nuit entoilée à st.Remy e nem Noite Estrelada Sobre o Ródan,mas o auto retrato com a orelha cortada, ele começou a rir.
-Boa noite!-
-boa noite!- contendo os risos
- O que te faz rir? estas rindo dos meus quadros?
-não senhorita, estou rindo de Vicent, ele não foi capaz de fazer um auto retrato, então cortou sua orelha, não sei se foi um ato de "genialidade" ou "insanidade"- No fundo ele queria dizer incompetência.
- pois... eu acho magnifica!
-perdoá-me...
-Então... Seu nome é Victor de Tarcila certo?
-sim!
-Trouxe alguma obra sua?
-sim... trouxe...- abriu sua bolsa tirou alguns desenhos. Eram desenhos realmente bonitos, "magníficos"... a moça pegou uma lente e observou bem próximo...
-me desculpe, qual seu nome? o Lucas não me falou- ela continuou olhando os desenhos e respondeu
-Melinda Damante...- ela observava os desenhos com maior plenitude.
Ele ficou observando-a, de forma... polida, como se fosse uma boneca de porcelana, olhou fixamente para seus cabelos curtos e negros, sua pele pálida e aparentemente massiva, porem olhos vazios como o espaço do vácuo olhando -a assim parecia ter 32 anos com jeito de 55, mas não vulgarmente falando, e sim experiência... ela realmente sabia o que estava fazendo.
- Você desenha perfeitamente... talvez... um dos melhores que já conheci... porem... deve amadurecer seus desenhos... eles realmente são "apaixonantes"- se voltou para ele, e pegou-o olhando boboamente...
Ela observando-o, e aquele momento pareciam está em mesma freqüência...
- Quero desenha-la...
-nunca me desenharam...
-mas eu quero desenha-la...
ela parecia estar... intoxicada com o olhar do pintor...
-então... você quer um vinho?- ao se virar para pegar o vinho, ele puxa sua mão, ela vira-se para ele.
- seus olhos... um é azul... outro é verde...- tocou em seu rosto...
-não... faz isso...-
Aproximou-se mais... olhou um sinal entre os cabelos... olhou sua orelha... rosto... lábios... lábios... lábios...
Ela... o beijou...
-Lucas! cara... tive uma noite estrelada, onde a via-láctea gozou sobre a lua...
- que isso! você teve uma noite Voluptuosa?
-até demais!, ela tem olhos de serenas...
-Que bom cara... me conte com detalhes...
ao Aproximar-se de mim me deu um beijo caloroso, olhei-a toquei em mãos... braços... ombros... e disse em ouvidos...
-Desenharei cada curva que te forma... por és uma arte esculpida por Deus... - ela deitou suas pálpebras dormentes, toquei em seu pescoço... beija-a com os lábios tocando e beijando os lábios que eram tocados, confundindo-se pela noite, que parecia inacabável...
-você tinha mais que comer ela...
-Lucas... como você consegue ser assim, e ainda é um escritor?
-eu apenas sou assim pra -ti meu querido amigo, meninas não conhecem a mim. Então... continuas...
-copulamos corpo, alma, sua estrela mais brilhante e plasmática do que todas as estrelas em constelações.
eu como espaço fui invadido por energia cósmica de atração de polos, formosidade que transforma-se em um.
noutro dia levantei cedo... ela ainda permanecia dormindo ainda sentia a embriaguez da noite, fui tomar um banho, juntei minhas coisas e esperei-a acordar na sala, e quando isso aconteceu, procurava por mim eu disse.
"Estou aqui..."
"pensei que tivesse ido embora"
"jamais faria isso com você estrela..."
Então voltei para casa.
- Você é um babaca...
- porque?
-Era pra ir embora, agora ela quer todos os dias...
- eu também meu amigo... eu também!
Passou-se um ano e ainda tenho aquele poema que Lucas, ou Lívia La Amélie guardado em mãos...
"sinto algo estranho nesse amor
Quando você brilha perto dele
Algo transfere raiva.
Mas no final acho-te linda...
E a forma que você copula
É pura...
Graças ao teu amor
Misturando-se ao horizonte
E o mar te beija, estrela...
Beija, beija, sinto-me...
Envergonhado... Por olhar aquilo.
E sei estrela que você é amada
Mas quero dar-te o meu amor
Assim como tu te mistura
Ao fim desse infinito...
Infinito que eu não sou...”
Jornal, "Mais recente obra de Lívia la Amélie" (a copular estrelar)
Por incrível que pareça ele sabia que o ciúme entre minhas duas paixões iria dar-me problema... mas ela entendeu...
Obrigado Lucas....
