domingo, 29 de maio de 2011

Coisas sobre desenhistas e pintores

     Este conto pinta a historia de Victor de Tarsila, um garoto utópico, mal sucedido, mas feliz. Apaixonado em vida pelo que faz, vive em um "beco" entre escadas dentro de um cubículo nomeado de "apartamento", tendo apenas 1 quarto com banheiro embutido, uma sala que copulava-se com a cozinha, na qual não tinha começo ou fim, dormia em um colchão, e sua maior obra estava nas paredes de um céu estrelado e um poema do Olavo bilac...


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas".



E seus amigos assim... também o achava...


   Seus pés frios, temperatura baixa, mas o sol queria acorda-lo, sentiu suas pálpebras queimarem, então por fim... resolveu fazer o que eram desejado. Levantou-se, foi ao banheiro, e no caminho esbarrou em algumas garrafas de cerveja, lavou o rosto que ainda parecia embriagado de sono. Tomou um banho que queimava as espinha, lavou-se como se fosse a ultima vez.
   Ficou apenas de Samba-canção, abriu a porta e pegou o jornal da vizinha como se fosse dele. Sentou-se no chão da sala, ao sabor do pão com agua começou a ler o jornal, e nada lhe chamava atenção, achou que seria mais um dia de tentativas em exposições e museus.
   Deitou-se no chão...
-Que vou fazer agora estrelas?- olhou para seu teto estrelado... apesar do sol...
-me sinto tão... vazio... mas vocês ainda estão brilhando...-
enterrompe sua conversa ao ouvir seu celular tocar.


-Alô?
- Victor Tarsila?
-Sim?
- Aqui é o Lucas.
- Lucas?
-Lucas le Rosseu
- Cara! quanto tempo?
- Pois é! então amigo, arrumei-te um encontro...
-Cara nem da pra mim sustentar-me, imagina sair com uma garota...
-Não é um encontro namoro... é trabalho, tenho um contato ai em São Paulo, mandei recomendações.
-Serio? cara! Brigado!
-Obrigado...
-Não cara brigado...
-Não!... Se fala Obrigado!
-Ah!- eles riram- desculpa, Obrigado- então concluiram a conversa dando-lhe o endereço.




Passou-se a manhã, a tarde, e a lua beijou o céu... ele vestiu suas melhores roupas e foi ao "encontro". Chegou em um apartamento de luxo em São Paulo, interfonou para um dos quartos, uma voz suave porém segura atende.


-Boa noite! eu sou o Victor de Tarcila... e o meu amigo Lucas... ele...- antes de continuar ela o interrompe
- pode entrar, quarto 421-
-certo...-
pegou o elevador que dava direto no quarto da moça... olhou de forma geral a sala, pinturas originais de Van gogh e a que lhe chamava mais atenção não era Nuit entoilée à st.Remy e nem Noite Estrelada Sobre o Ródan,mas  o auto retrato com a orelha cortada, ele começou a rir.


-Boa noite!-
-boa noite!- contendo os risos
- O que te faz rir? estas rindo dos meus quadros?
-não senhorita, estou rindo de Vicent, ele não foi capaz de fazer um auto retrato, então cortou sua orelha, não sei se foi um ato de "genialidade" ou "insanidade"- No fundo ele queria dizer incompetência.
- pois... eu acho magnifica!
-perdoá-me...
-Então... Seu nome é Victor de Tarcila certo?
-sim!
-Trouxe alguma obra sua?
-sim... trouxe...- abriu sua bolsa tirou alguns desenhos. Eram desenhos realmente bonitos, "magníficos"... a moça pegou uma lente e observou bem próximo... 
-me desculpe, qual seu nome? o Lucas não me falou- ela continuou olhando os desenhos e respondeu
-Melinda Damante...- ela observava os desenhos com maior plenitude.
Ele ficou observando-a, de forma... polida, como se fosse uma boneca de porcelana, olhou fixamente para seus cabelos curtos e negros, sua pele pálida e aparentemente massiva, porem olhos vazios como o espaço do vácuo  olhando -a assim parecia ter 32 anos com jeito de 55, mas não vulgarmente falando, e sim experiência... ela realmente sabia o que estava fazendo.
- Você desenha perfeitamente... talvez... um dos melhores que já conheci... porem... deve amadurecer seus desenhos... eles realmente são "apaixonantes"- se voltou para ele, e pegou-o olhando boboamente...
Ela observando-o, e aquele momento pareciam está em mesma freqüência...
- Quero desenha-la...
-nunca me desenharam...
-mas eu quero desenha-la...
ela parecia estar... intoxicada com o olhar do pintor...
-então... você quer um vinho?- ao se virar para pegar o vinho, ele puxa sua mão, ela vira-se para ele.
- seus olhos... um é azul... outro é verde...- tocou em seu rosto...
-não... faz isso...-
Aproximou-se mais... olhou um sinal entre os cabelos... olhou sua orelha... rosto... lábios... lábios... lábios...
Ela... o beijou...




-Lucas! cara... tive uma noite estrelada, onde a via-láctea gozou sobre a lua...
- que isso! você teve uma noite Voluptuosa?
-até demais!, ela tem olhos de serenas...
-Que bom cara... me conte com detalhes...


ao Aproximar-se de mim  me deu um beijo caloroso, olhei-a toquei em mãos... braços... ombros... e disse em ouvidos...
-Desenharei cada curva que te forma... por és uma arte esculpida por Deus... - ela deitou suas pálpebras dormentes, toquei em seu pescoço... beija-a com os lábios tocando e beijando os lábios  que eram tocados, confundindo-se pela noite, que parecia inacabável...


-você tinha mais que comer ela...
-Lucas... como você consegue ser assim, e ainda é um escritor?
-eu apenas sou assim pra -ti meu querido amigo, meninas não conhecem a mim. Então... continuas...


-copulamos corpo, alma, sua estrela mais brilhante  e plasmática do que todas as estrelas em constelações.
eu como espaço fui invadido por energia cósmica de atração de polos, formosidade que transforma-se em um.
noutro dia levantei cedo... ela ainda permanecia dormindo ainda sentia a embriaguez da noite, fui tomar um banho, juntei minhas coisas e esperei-a acordar na sala, e quando isso aconteceu, procurava por mim eu disse.
"Estou aqui..."
"pensei que tivesse ido embora" 
"jamais faria isso com você estrela..."


Então voltei para casa.
- Você é um babaca...
- porque?
-Era pra ir embora, agora ela quer todos os dias...
- eu também meu amigo... eu também!


Passou-se um ano e ainda tenho aquele poema que Lucas, ou Lívia La Amélie guardado em mãos...



"sinto algo estranho nesse amor

Quando você brilha perto dele
Algo transfere raiva.
Mas no final acho-te linda...
E a forma que você copula
É pura...

Graças ao teu amor
Misturando-se ao horizonte
E o mar te beija, estrela...
Beija, beija, sinto-me...
Envergonhado... Por olhar aquilo.
E sei estrela que você é amada
Mas quero dar-te o meu amor
Assim como tu te mistura
 Ao fim desse infinito...
Infinito que eu não sou...”




 Jornal, "Mais recente obra de Lívia la Amélie" (a copular estrelar)


Por incrível que pareça ele sabia que o ciúme entre minhas duas paixões iria dar-me problema... mas ela entendeu...


Obrigado Lucas....









quarta-feira, 25 de maio de 2011

Coisas sobre Escritores e poetas



                                                   Chamava-se Lucas, com pseudônimo de Lívia la Amélie, achava-se péssimo, porém vendia bem. Houvera noites voluptuosas, seu ponto extremo era empírico e ainda dizia-se ter vida.
     Acendia seu "Charm Cigarrette" em um bar de empresários vazios e bem-sucedidos, no habitat do Rio Janeiro. Enquanto isso, balbuciava seu Whisky doze anos, loiras e não loiras arrancava-lhe em pedaços com olhares, porém ele fingia não se importar, independentemente do que estar acontecendo, ele permaneceu a viajar na fumaça.
     A piola que caia em seu copo, misturava-se ao Álcool, e isso causava um choque entre as mulheres, entretanto terminava impressionando-as.
     Ao terminar de fazer fumaça, deixou o cigarro em um cinzeiro, ergueu apenas uma vez seu copo que logo desceu vazio, voltou a realidade e tomou a pose. Havia três mulheres com Eros e Afrodite em pele de lobo, encarava-o de forma hipnótica, porém sua sobrevivência em ruas era mais forte. Uma das três Guria beijava seu indicador em uma taça de Martíni vazio, olhava-o com uma das sobrancelhas elevada e um sorriso promíscuo. 
    Lucas levantou-se, e aproximou das meninas.
- Posso-me juntar a tamanha luz que alumia olhos aflitos e encantados por beleza?-
As meninas sorriram.
- pode...-
-Com a resposta certa, irei dar-te a bebida certa... o que desejas?-
-Impressione a nos
Ele sorri como se tudo estivesse seguindo seu plano, chamou o garçom e sussurrou algo em seu ouvido, e elas sorriam como se ele estivesse em suas mãos.
- Que você falou para ele?-
- Espere e verás...-
-Qual o seu nome?-
Ele sorrio abaixou a cabeça logo ergueu - Lívia La Amélie-
Elas olharam entre si zombaram, e ele fingiu que nada estivesse acontecendo.
-Mas Doutora Lívia é uma das melhores escritoras de Romance Trágico que existe...- e logo riram
-A bebida meninas- o garçom entrega as meninas 3 bebidas distintas.
-Dry martíni para senhorita, Tequila para a senhorita... e Mojito para senhorita-
- Então... Lívia... porque então usar esse nome?- Tequila perguntou sarcasticamente.
-Vendo mais...- ele pegou um cigarro do bolso do seu casaco- posso?-
-Sim...- ele acendeu o cigarro - Mas você venderia do mesmo jeito... na verdade bem mais...-
-Gays não são meu publico alvo- larga uma fumaça e olha para ela...-
- e qual é seu publico alvo? escreve romances, mulheres e gays- elas sorriram.
- Críticos, sabem como é... sou um pouco sádico...- ele sorrir e joga um bafo de fumaça.
-Mas, pelo que eu vi na revista e jornais... foi o melhor livro...- Mojito mostrou-se intelectual.
-Eu só escrevo o que alguns querem ouvir, por mais que tente mostrar-me péssimo, vão falar que sou excelente, apenas procuro um critico de verdade- ele sorrir.- tenho algo para vocês... querem provar?-
Ele retira de um vidro próximo ao balcão 4 pimentas e entrega a cada uma.
-Pimenta?- perguntaram as três.
-sim- da um sorriso promiscuo, e come uma das picantes...
- a pimenta ela estimula o libido...- disse mojito mostrar saber de algo...
Tequila coloca em sua boca e engole sem sentir o gosto. enquanto Dry coloca na boca e troca lábios com o escritor, e mojito... prefere não tentar...


  A partir daquele momento os quatro vão para um lugar mais reservado, ele paga o quarto, talvez o melhor da cidade, cama vermelha com rosas, aquele cheiro escaldado de flor que anestesia e libera qualquer forma libídical do corpo.
   Tequila olha para mojito e a beija com as mãos os lábios, o pescoço... seios... costelas...
Dry com todo o seu veneno... causa uma paralisia no escritor que depois um tempo naquele lugar tremulo, água salgada e vaporosa dos poros de cada um emitindo sons distorcidos...
    Ele saiu mais cedo, escreveu em uma folha seu ultimo poema, E esta noite não é distinta das outras noites, ciclos viciosos e infinitos...


"comi, comi, comi
Da pimenta de Afrodite
que és Lúdica vaporosa e voluptuosa
Bebi bebi bebi
Da espuma do mar
Fiquei Fértil e cheguei a amar..."




Lívia la Amélie... Para Dry Martíni, Tequila e Mojito.


após uma semana este poema estava em jornais e revistas...

domingo, 1 de maio de 2011

Faça uma limpeza no seu coração.



Comecei o dia com o pé esquerdo, mas nem por isso devo continuar com ele. Posso muito bem desviar caminhos que assim pareciam ser inevitável.
Tive tempo de fechar os olhos e dizer que eu sou eu, sou alguém cujo coração pesado bate como uma pedra, e machuca órgãos na a proximidade.
Tenho uma estaca cravada que atravessa e me faz vomitar.
Ânsias, medos, sofrimento, são os meus sonhos e por causa disso não quero mais dormir.
Você talvez entenda o que digo, mas não sente, e desejo a ti que não sinta, porque sofrimento alheio não vale apenas.
Permaneço com um sorriso, uma felicidade utópico e assim todos sabem que estou bem.

-Eu me nego ao amor, me nego. Nego a você e todos! Nego a felicidade, a tristeza. –
Disse-me.

Boêmio, você que me deixa arrasada e feliz, porque não circula todos os dias em meu venoso, porque essa droga queria mais e mais.
Desculpe-me aqueles que tiveram que ler, e não viram nada que eu procuro escrever, mas é que preciso fazer uma limpeza no meu coração.
Hoje no meu quarto vermelho dos tecidos musculares, joguei cartas que dizia-me odiar, que eu era gorda, incapaz, e após queimar, olhei-me ao espelho e disse.

- Eu me amo... Não posso mais sofrer.
- Eu te amo...